domingo, 3 de janeiro de 2010

casa dos mortos





Edson Bueno de Camargo






lendo José Carlos Mendes Brandão


a pedra canta o hino dos mortos
e de minha tíbia
faz uma flauta

o poeta encantou os meus dedos
pendurei um osso na orelha

a poesia agora sussurra
como a chuva

11 comentários:

Sônia Brandão disse...

Gostei de ver o diálogo da sua poesia coma poesia do José Carlos.

bjs

José Carlos Mendes Brandão disse...

Edson, nunca morreremos de todo: a nossa poesia continuará a cantar.
Abraços.

Edson Bueno de Camargo disse...

Poema de josé Carlos Mendes Brandão com os quais dialoguei:

http://poesiacronica.blogspot.com/2009/10/no-teatro-da-vida.html


17.
Apoiei a cabeça na pedra e dormi.
Sonhei com os mortos construindo uma casa,
os ossos eram flautas e harpas ao vento.
A pedra pulsava em silêncio como uma alma.


18.
A morte entrou no sonho das crianças.
Tinha leite materno, cantava suavemente,
penteava as bonecas e os cachorrinhos empalhados.
As crianças choravam com um sorriso feliz.

Rafael Medeiros dos Santos disse...

É impressçao minha, ou o José Carlos dialogou com o Maiakovski?

Amo esse labirinto borgiano que é a arte.

Que eapécie de loucos somos nós, hein Edson...ainda insistindo em ouvir a Voz da Sombra?

Edson Bueno de Camargo disse...

A vida é intertextualidade. Reescrevemos nossos mortos, reais ou imaginários. Maiakovski é tão parente meu quanto o corvo de Poe.

Nydia Bonetti disse...

Nossa, como gosto desta "prosa" entre poemas.

Edson Bueno de Camargo disse...

Falar sobre poesia é o segundo vício o poeta.

Edson Bueno de Camargo disse...

A morte nos faz cair em seu alçapão,
É uma mão que nos agarra
E nunca mais nos solta.
A morte para todos faz capa escura,
E faz da terra uma toalha;
Sem distinção ela nos serve,
Põe os segredos a descoberto,
A morte liberta o escravo,
A morte submete rei e papa
E paga a cada um seu salário,
E devolve ao pobre o que ele perde
E toma do rico o que ele abocanha.

(Hélinand de Froidmont. Os Versos da Morte. Poema do século XII, 1996: 50, vv. 361-372)

Jose Ramon Santana Vazquez disse...

...traigo
sangre
de
la
tarde
herida
en
la
mano
y
una
vela
de
mi
corazón
para
invitarte
y
darte
este
alma
que
viene
para
compartir
contigo
tu
bello
blog
con
un
ramillete
de
oro
y
claveles
dentro...


desde mis
HORAS ROTAS
Y AULA DE PAZ


TE SIGO TU BLOG




CON saludos de la luna al
reflejarse en el mar de la
poesía...


AFECTUOSAMENTE:
EDSON


ESPERO SEAN DE VUESTRO AGRADO EL POST POETIZADO DE CABALLO, LA CONQUISTA DE AMERICA CRISOL Y EL DE CREPUSCULO.

José
ramón...

José Carlos Mendes Brandão disse...

Edson,voltando aqui. Vejo que o Rafael nos liga a Maiakovski - mas quem poderia esquecer de Maiakovski? Embora eu, pessoalmente, leia muito mais a Bíblia - um livro de poesia e religião - do que Maiakovski.
Curiosidade: Sabe que forma encontradas flautas de ossos de aves de 35 mil anos? A poesia precisa inventar muito pouco.
Outra curiosidade: Sabe que nós estamos juntos em mais um concurso literário, o Cidade Poesia? Tive um poema selecionado, como você. E para completar o trio lá de Paraty, o Sérgio Bernardes ficou em 3º lugar.
Desculpe, aqui não era lugar para correspondência pessoal - mas agora vai assim mesmo.
Abração.

Edson Bueno de Camargo disse...

Todo lugar é um bom lugar para falar com os amigos.

Segundo o Cláudio Willer a poesia não reiventa do mundo, o cria. os poetas estão plugados nesta matriz.

Muito bom estarmos juntos em um livro novamente, no caso do Sérgio é o terceiro já, Paraty e Piracicaba.