sexta-feira, 8 de julho de 2011

precipício



Edson Bueno de Camargo




ando sob o minguante
firmamento de escuro azul aveludado
abriga esta noite infinda
de cabras de pés de cobre

facas de aço vegetal
que crescem dentro de pedras vivas
ósculo orgânico dos confins da terra
fala com a língua de diamantes
( e tudo conspira o universo)

palavras de alabastro
palavras petrificadas
palavras borboletas
com asas lâminas de vidro
palavras runas
a contar os destinos

esta noite
dormir como um anjo
asas pregadas na rocha do precipício
sangrando pelos pés


4 comentários:

rishi disse...

acho que você só se encontrou neste poema mesmo na última estrofe, que está fantástica.
abraço poeta

José Carlos Brandão disse...

Assim vivemos, à beira do precipício, as palavras como asas - mas como são frágeis, as palavras. Entanto, continuamos. Entanto, voamos.

Sônia Brandão disse...

As palavras nos salvam ou nos atiram de vez no precipício.

Grande abraço.

« Katyuscia Carvalho » disse...

Poeta, que riquezas de expressão e manuseio com os elementos todos que fazem a alquimia da palavra nos teus versos... vertem as asas do anjo em nós, quando lemos, à beira desse precipício que se torna nosso próprio olhar diante do texto!

Um grande abraço.

Katy.