segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

guarda-chuvas coloridos



Edson Bueno de Camargo

a chuva esparsa
pede guarda-chuvas coloridos
nesta primavera fria
de calçadas molhadas

as andorinhas que invernam em minha rua
chegaram semana passada
em seus pequenos peitos
trazem um continente
países que nunca saberei em uma vida

o gato branco ronrona e ronda
nos lóbulos elétricos de seu cérebro
um caçador está em alerta

as árvores pendem de flores
que caem com o vento
colorindo a rua de amarelo e branco
roxo claro
as pétalas da roseira brava do meu jardim
sua alma de cinza de carmim
como desejo de brasa escondida
e as pitangas vermelhas vivas
chamas do fogo roubado por Prometeu

ai de mim que amei o humano
além das forças
transformado em Titã
pela força das circunstâncias
e poeta por amargo ofício

:
fico meditando sob gotas finas
a despeito de tantos corações vegetais
do grito das plantas
embriagadas pela estação
e de como o amor ao Sol
dá-lhe vida
e nos doam a vida

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