sábado, 18 de agosto de 2007

furacões

Edson Bueno de Camargo

resta uma réstia de luz

e as folhas se acumulam no quintal

é voraz a fome do vento

devora papéis velhos e sonhos que estão soltos

no outono de lua azul

o corredor é a desolação da tarde

do mesmo modo que campeia

a noite que está por vir

o ventre inflado

de tristeza morta e apodrecida

os galhos da árvore acenam

são fantasmas vistos pela janela

e o medo do escuro recorda a infância perdida

no beco feito de álcool e naftalina

vergões nas costas: água, vinagre e sal

dividi o pão dos esquecidos e amanheci novo e velho

perdido feito uma criança em meio a tantas guerras

cabelos brancos e falta de senso de direção

os olhos não aprenderam nada

e nada tem para ensinar a mão

ouvi então um coro de anjos tortos

entoavam um blues para New Orleans

quantos furacões a devastar nossos corações

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