Edson Bueno de Camargo
uma lâmina de machado
fita longo o tempo, uma esmeralda
líquida
que cobre a areia
de cinzas vulcânicas
gozo de deusa
(calor de vulcões
que recusa o tabernáculo,
onde não entram fêmeas)
há um grito neolítico encravado na espinha dorsal
cortam pelos e madeiras cruas
crânios tomados ao inimigo
a orelha estabelece dois pontos
de fuga
em sangue encardido
comem as nuvens vermes ancestrais
criaturas que primeiro sonharam e se sentiram
que produzem duas luas plenas e férteis
derramadas
de amargo medo e coisas pequenas
amiúde o tempo fermentou das dádivas
dos novos deuses
(mas, não se calaram os mais velhos)
cabem em folhas de carvalho
marrom claras quase terra
uma dança ocre
recobre faces novas
e copas de chifres
bebamos